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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Reflexo daquilo que se escuta
escrito em sexta-feira, 23 de março de 2012 às 18:55

    Eu estava me apaixonando pelo espelho. Não por aquilo que ele me mostrava, assegurando-me de que havia um defeito ali, bastasse procurar, mas sim por refletir a verdade, por mais difícil que fosse de aceitá-la. A verdade mudava dependendo do meu humor, da minha roupa, do meio social que frequentava, mas ela sempre me insistia em dizer que eu não era perfeita.
     Os meses foram passando e minha obseção foi aumentando. Carregava um na bolsa, coloquei um de corpo inteiro no banheiro (além dos outros dois que eu tinha, um no quarto, outro no closet).  As vezes ficava brava porque ele não mentia um pouco, e não me dizia que meu perfil era bonito, mas as vezes ele me agradava, mostrando o quanto a minha cintura era fina, e meu cabelo, sedoso. 
    O ruim é que ele ressaltava quem eu era de verdade. À noite, quando eu tirava minha maquiagem, prendia meu cabelo e colocava meu pijama, eu chegava a ficar horas na frente dele, encarando aquela estranha. Eu me perguntava se algum dia eu encontraria alguém que me acharia linda, alguém que acharia essa estranha a mais bela de todas, mesmo pesando 2 quilos a mais do que ela queria.
     Ah! Esse espelho! Maldito espelho que embaralha meu pensamento, aguça meu julgamento e que sempre me lembra como é difícil ser bonita. Maldito é o espelho, que me lembra como cansa ser aquilo que os outros querem que sejamos.
     Agora eu estava chorando. Era noite, e estava apenas de roupa íntima. Era impressão minha ou eu tinha engordado? E aquilo, seriam mais estrias? "Cale a boca, cale a boca" eu sussurrava, mas ele continuava à apontar aqui e ali. Eu tentei fechar meus olhos, mas o espelho era mais forte. "Cale a boca, cale a boca". O idealismo da mulher perfeita havia sido formado em minha mente, e ele estava me sufocando.
     Em pleno desespero comecei a arranhar meus braços, minhas pernas. Eu fracassara. Minha imagem, meu corpo, eles não eram o que eu queria. E aquele espelho... aquele idiota por quem me apaixonara, ele não mostrava mais o que eu queria. Aquilo, mulher perfeita, era uma grande mentira. Aquele espelho vinha refletindo a mentira por tempo demais em minha vida.
     "CALE A BOCA" foi o que eu gritei enquanto socava ele. A dor se espalhou por meu corpo enquanto o reflexo que deveria ser meu, o reflexo daquela mulher idealizada, se partia em dezenas, centenas de cacos.

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