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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Por que não?
escrito em quarta-feira, 28 de março de 2012 às 15:14
Eu estava parado no meio do que costumava ser meu quarto, fitando as paredes agora sem nenhum pôster, nenhum quadro. Era apenas mais um cômodo, sem nenhum móvel, sem cortina nem tapete, mas eu conseguia lembrar de todas as vezes que meus amigos dormiram comigo aqui, de todas as festas e churrascos no apartamento. Podia até sentir o cheiro da vez em que queimamos o frango no feriado.
Eu saí do quarto e fechei a porta, numa tentativa de manter as lembranças afastadas, presas do outro lado, pelo menos por enquanto. Não queria chorar, não agora.
Atravessei o corredor e sentei-me no chão da cozinha, apoiando minhas costas na parede gelada. Eu ainda tinha uns 40 minutos antes dos novos donos chegarem. Eu tinha apenas mais 40 minutos nessa minha velha vida, e a partir do momento em que a campainha tocasse, tudo seria diferente, excitante.
Meu nome é Joshua, tenho 28 anos e sou solteiro. Alto? Forte? Olhos azuis? Sim. Mas o que isso importa? Sou formado em direito, não sou pobre, e saí de casa com apenas 17 anos. O que isso mudará na sua vida? Na minha digo que são apenas detalhes e oportunidades que surgiram e que não pensei duas vezes antes de agarrá-las. Nós somos quem podemos ser não?
Fora numa noite de verão, preso no trânsito, à caminho da praia para uma festa de comemoração pelo noivado de meu melhor amigo que eu me vi diante de uma oportunidade. Não, oportunidade não, mas sim um plano, uma ideia que me seduziu, que me agradou.
"Como assim você vai viajar sem nenhum roteiro? Sem nenhum destino?" gritou meu melhor amigo, indiguinado com minha ideia, que parecera absurda para ele. Imatura de mais, fora o que ele ficara repetindo consigo mesmo.
Seu casamento fora ontem. Nunca o vira tão feliz, tão radiante. Ele agora está começando uma fase nova, uma vida nova, ele merece, e assim como ele, também mereço. Porque ficar aqui sendo que quase todos os meus amigos estão compromissados? Por qual motivo continuaria aqui sendo que estou cansado de minha rotina, cansado do barulho do trânsito? Porque não viajar sem rumo? Eu poderia parar na estrada para sentar em cima do capô do meu jipe e observar o céu estrelado. Poderia dormir na areia da praia e jantar sozinho num restaurante chique. Poderia tirar fotos de paisagens diferentes, culturas diferentes. Iria conhecer pessoas novas, mesmo se nós nos vissemos apenas uma vez. Porque não?
Eu encarava a lâmpada apagada enquanto os pensamentos bombardeavam minha cabeça. Antes de ontem fora o meu churrasco de despedida, mais uma vez em meu apartamento, à moda antiga, fora o que os meus amigos disseram. Eu ri. Fora divertido, passamos a noite em claro, e eles foram embora ao amanhecer, pois era o dia do casamento, se é que você não esqueceu. E agora, no silêncio, fiquei sentado ali, com um sorriso bobo na cara, finalmente estava em paz, estava feliz.
De repente um som ecôou no silêncio, a campainha.
Era um casal de idosos, e havia gostado deles logo de cara. É claro que eu abaixei bastante o preço para eles, mais do que deveria, mas não me importava. Depois de entregar a chave e os controles do ar condicionado e do portão para a mão enrugada do Senhor, e ter uma breve conversa, a mulher me surpreendeu. Ela sabia de minha viajem, e talvez aquilo tenha desencadeado aquele jesto, que eu aceitei como um afeto.
Ela colocou a mão na minha testa e citou algumas palavras: "O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz" Não posso dizer que não corei, e que não fiquei sem graça, mas basta saber que me senti honrado. Nunca fui religioso, mas sabia que aquilo havia vindo da bíblia, e aquelas palavras tiveram um efeito imediato sob meu corpo e pensamentos. Se eu estava exitando ou ansioso, agora não estava mais, estava certo de que esse era o certo à fazer, e com a benção ecoando em minha mente eu desci as escadas em direção à rua.
Já dentro do carro em movimento eu acenava para o casal que estavam de mãos dadas e sorrindo para mim da calçada. A senhora havia me dado uma cesta com doces - é claro, eu tirei fotos deles, eles haviam se tornados personagens importantes nessa história que eu estava começando nesse instante - que estava no banco passageiro junto à minha câmera profissional.
Era meio dia agora, o sol brilhava com seus raios impiedosos, e o vento tocava o meu rosto de uma maneira revigorante. Comecei a acelerar o jipe - verde limão é claro. Uma felicidade e vibração me inundavam naquele momento que fez arrepiar todos os pelos de meus braços. O rádio estava quase no máximo, e com minha belíssima voz - espero que você entenda a ironia nesse momento - eu comecei a cantar, ou melhor, gritar a letra de Infinita Highway dos Engenheiros do Hawaii.
Eu não sabia para onde ía, e nem precisava disso. Não havia feito reservas em hotéis, e estava com uma quantia em dinheiro suficiente para pelo menos um ano de viagem insana. Havia apenas o horizonte e eu. Pela primeira vez sem planos, sem opiniões de incheridos, só queria viver, curtir o momento, curtir a viagem. Mas acredite, eu nem imaginava que desta viagem eu nunca voltaria, pois a última coisa que eu esperava era me apaixonar por uma bióloga, mulher de 25 anos, que quando a conheci, estava equilibrando vários livros no braço e rindo sozinha dentro de uma biblioteca numa cidade do interior, cidade perdida no meio de um deserto. E bom, para alegria minha, ela me correspondeu. Marcadores: história

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Por que não?
escrito em quarta-feira, 28 de março de 2012 às 15:14
Eu estava parado no meio do que costumava ser meu quarto, fitando as paredes agora sem nenhum pôster, nenhum quadro. Era apenas mais um cômodo, sem nenhum móvel, sem cortina nem tapete, mas eu conseguia lembrar de todas as vezes que meus amigos dormiram comigo aqui, de todas as festas e churrascos no apartamento. Podia até sentir o cheiro da vez em que queimamos o frango no feriado.
Eu saí do quarto e fechei a porta, numa tentativa de manter as lembranças afastadas, presas do outro lado, pelo menos por enquanto. Não queria chorar, não agora.
Atravessei o corredor e sentei-me no chão da cozinha, apoiando minhas costas na parede gelada. Eu ainda tinha uns 40 minutos antes dos novos donos chegarem. Eu tinha apenas mais 40 minutos nessa minha velha vida, e a partir do momento em que a campainha tocasse, tudo seria diferente, excitante.
Meu nome é Joshua, tenho 28 anos e sou solteiro. Alto? Forte? Olhos azuis? Sim. Mas o que isso importa? Sou formado em direito, não sou pobre, e saí de casa com apenas 17 anos. O que isso mudará na sua vida? Na minha digo que são apenas detalhes e oportunidades que surgiram e que não pensei duas vezes antes de agarrá-las. Nós somos quem podemos ser não?
Fora numa noite de verão, preso no trânsito, à caminho da praia para uma festa de comemoração pelo noivado de meu melhor amigo que eu me vi diante de uma oportunidade. Não, oportunidade não, mas sim um plano, uma ideia que me seduziu, que me agradou.
"Como assim você vai viajar sem nenhum roteiro? Sem nenhum destino?" gritou meu melhor amigo, indiguinado com minha ideia, que parecera absurda para ele. Imatura de mais, fora o que ele ficara repetindo consigo mesmo.
Seu casamento fora ontem. Nunca o vira tão feliz, tão radiante. Ele agora está começando uma fase nova, uma vida nova, ele merece, e assim como ele, também mereço. Porque ficar aqui sendo que quase todos os meus amigos estão compromissados? Por qual motivo continuaria aqui sendo que estou cansado de minha rotina, cansado do barulho do trânsito? Porque não viajar sem rumo? Eu poderia parar na estrada para sentar em cima do capô do meu jipe e observar o céu estrelado. Poderia dormir na areia da praia e jantar sozinho num restaurante chique. Poderia tirar fotos de paisagens diferentes, culturas diferentes. Iria conhecer pessoas novas, mesmo se nós nos vissemos apenas uma vez. Porque não?
Eu encarava a lâmpada apagada enquanto os pensamentos bombardeavam minha cabeça. Antes de ontem fora o meu churrasco de despedida, mais uma vez em meu apartamento, à moda antiga, fora o que os meus amigos disseram. Eu ri. Fora divertido, passamos a noite em claro, e eles foram embora ao amanhecer, pois era o dia do casamento, se é que você não esqueceu. E agora, no silêncio, fiquei sentado ali, com um sorriso bobo na cara, finalmente estava em paz, estava feliz.
De repente um som ecôou no silêncio, a campainha.
Era um casal de idosos, e havia gostado deles logo de cara. É claro que eu abaixei bastante o preço para eles, mais do que deveria, mas não me importava. Depois de entregar a chave e os controles do ar condicionado e do portão para a mão enrugada do Senhor, e ter uma breve conversa, a mulher me surpreendeu. Ela sabia de minha viajem, e talvez aquilo tenha desencadeado aquele jesto, que eu aceitei como um afeto.
Ela colocou a mão na minha testa e citou algumas palavras: "O Senhor te abençoe e te guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e te conceda graça; o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz" Não posso dizer que não corei, e que não fiquei sem graça, mas basta saber que me senti honrado. Nunca fui religioso, mas sabia que aquilo havia vindo da bíblia, e aquelas palavras tiveram um efeito imediato sob meu corpo e pensamentos. Se eu estava exitando ou ansioso, agora não estava mais, estava certo de que esse era o certo à fazer, e com a benção ecoando em minha mente eu desci as escadas em direção à rua.
Já dentro do carro em movimento eu acenava para o casal que estavam de mãos dadas e sorrindo para mim da calçada. A senhora havia me dado uma cesta com doces - é claro, eu tirei fotos deles, eles haviam se tornados personagens importantes nessa história que eu estava começando nesse instante - que estava no banco passageiro junto à minha câmera profissional.
Era meio dia agora, o sol brilhava com seus raios impiedosos, e o vento tocava o meu rosto de uma maneira revigorante. Comecei a acelerar o jipe - verde limão é claro. Uma felicidade e vibração me inundavam naquele momento que fez arrepiar todos os pelos de meus braços. O rádio estava quase no máximo, e com minha belíssima voz - espero que você entenda a ironia nesse momento - eu comecei a cantar, ou melhor, gritar a letra de Infinita Highway dos Engenheiros do Hawaii.
Eu não sabia para onde ía, e nem precisava disso. Não havia feito reservas em hotéis, e estava com uma quantia em dinheiro suficiente para pelo menos um ano de viagem insana. Havia apenas o horizonte e eu. Pela primeira vez sem planos, sem opiniões de incheridos, só queria viver, curtir o momento, curtir a viagem. Mas acredite, eu nem imaginava que desta viagem eu nunca voltaria, pois a última coisa que eu esperava era me apaixonar por uma bióloga, mulher de 25 anos, que quando a conheci, estava equilibrando vários livros no braço e rindo sozinha dentro de uma biblioteca numa cidade do interior, cidade perdida no meio de um deserto. E bom, para alegria minha, ela me correspondeu. Marcadores: história

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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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