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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Título? Qual é o seu?
escrito em terça-feira, 3 de julho de 2012 às 18:39
Lembro-me daquela tarde e daquele homem perturbado com frequência. Bom, lembro em termos, porque não consigo dizer se era uma tarde ensolarada de inverno, ou uma tarde fresca de outono. Para falar a verdade, as coisas andam tão corridas ultimamente, que nem sei falar se esse encontro bem longe do normal aconteceu esse ano, ou ano passado. O engraçado é que eu lembro da roupa que usava naquela tarde, o livro que estava lendo no banco da praça e de que precisava pegar uma jaqueta de couro na lavanderia. Mas não precisamos de detalhes. Até porque, naquela conversa, nomes não foram trocados.
Eu estava muito entretido no livro em que lia, e não vi o homem sentar-se ao meu lado.
- Desculpe-me interrompê-lo, mas você parece ser um leitor ávido, e talvez você possa me ajudar.
Demorei para suspeitar que ele estava falando comigo. Muito burro da minha parte, pois estávamos só nós dois naquele banco. Encarei o camarada. Era um senhor. Devia ter mais de 65, usava um terno muito bem passado, sapatos lustrosos, cabelos ralos e brancos alinhados. Tinha um brilho estranho nos olhos. Curiosidade talvez. Mais tarde eu descobri que não estava errado ao supor aquilo, na verdade, o homem estava atrás de respostas.
- O que o senhor precisa?
Temi soar rude, mas a culpa não era minha se ele falava com tanta formalidade, que tudo o que eu poderia falar poderia parecer grosseiro.
- O que você acha dos personagens que você encontra nos livros, dos finais felizes? - Abri minha boca para responder, mas ele ainda não tinha terminado - Você já percebeu que a nossa vida gira em torno dessas ilusões? Os filmes influenciam demais os jovens, tanto na moda, quanto em seus pensamentos. É impressionante. Agora que sou maior em idade, vejo isso com clareza.
Fiquei quieto esperando ele continuar, mas este ficou em silêncio, observando o movimento da rua.
- Me desculpe, mas as vezes as influências podem ser boas também. Uma moeda tem dois lados senhor.
- Exatamente. E isso é o pior, porque ambos os lados são traiçoeiros. O lado mau, bom, ele por si próprio já fala demais, mas o lado bom nos ilude. Demais. Nesse lado tudo o que precisa para ter uma vida maravilhosa é uma cabana, uma acompanhante e amor. Só. Você passa até a acreditar que isso é suficiente. Dependendo do filme que você assiste, os seus sonhos ficam martelando na sua cabeça no mesmo ritmo acelerado do seu coração.
- Isso deveria ser bom.
- Sim meu jovem, deveria, mas não é. Porque quando a realidade nos trás de volta, vemos que não somos personagens de um livro de aventura. A vida não obedece os mesmos padrões da literatura, infelizmente. Quando chegamos no clímax, o momento mais perigoso do herói, a crise mais eminente do protagonista, o mais delicado ponto do conflito, onde não se sabe para que lado a história penderá, ficamos esperando pelo desfecho que nos mostrará se a nossa história será um drama, ou uma comédia, mas então outros momentos de tensão chegam, e nós não conseguimos nem pensar num título para o livro que é a nossa vida. O autor da minha história deveria ser eu mesmo, mas como?
- Bom. O livro gira em torno do título, então, talvez você devesse escolher o seu título, e se esforçar em trilhar o seu caminho, e escrever a sua história sempre o respeitando.
O senhor passou a mão no cabelo, e pensou nisso por um instante. Eu queria saber o que tinha acontecido com aquele homem para estar tão incomodado. Ele não tinha falado nada dele, e isso só fazia eu querer saber mais.
- Talvez você esteja certo. Pena a vida real não ser fácil como nos filmes.
- Pois é. O senhor nunca ouviu aquela frase que diz que os filmes são os sonhos que não temos de noite, e podemos vê-los qualquer hora do dia?
- Nunca.
Ele olhou seu relógio e em seguida se levantou. Pegou uma bengala que antes eu não tinha reparado, e automaticamente eu aumentei mais 10 anos em minha nota mental. Pensei que ele partiria sem dizer adeus, muito menos agradecer, mas de novo, ele ainda não tinha terminado.
- Sabe o que eu acho o pior? Nos filmes fugir dos problemas é muito fácil. A pessoa pega uma bolsa e corre atrás de um trem, e entra nele clandestinamente. Pronto. Já nessa vida, nós ficamos presos à coisas idiotas, e não conseguimos deixá-las para trás. Uma rotina agradável, uma pessoa, um bar.
Ele deu uma risadinha.
- Oras, você deve estar me achando um homem perturbado não?
- Com certeza.
Ele riu.
- Mas acho que todos nós somos homens perturbados. - Com isso eu queria fazê-lo sentir-se melhor. Até hoje não sei se funcionou.
- É. Acho que somos sim. Ninguém presta. Todos queremos tocar o céu, mas morremos de medo de altura.
E com isso, ele foi embora. Eu fiquei ali, impotente, observando-o ir embora. Perdi a vontade de ler meu livro, e fiquei com vontade de escrever uma história. De fato, eu a escrevi. Mas não é essa não. Aquela história transformou-se num livro de um engraçado homem que tinha tudo, mas não tinha nada. Aquele livro me fez famoso, e agora sinto que tenho uma dívida com aquele homem. No máximo 4 anos se passaram daquele nosso estranho encontro, e pretendo encontrá-lo. Tomar uma xícara de café, trocar os nomes, quitar a minha dívida, pois aquele homem ajudou-me a construir a minha história, e a escolher o título da minha vida. Se é você o senhor daquele dia, por favor, me procure. Marcadores: história

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Título? Qual é o seu?
escrito em terça-feira, 3 de julho de 2012 às 18:39
Lembro-me daquela tarde e daquele homem perturbado com frequência. Bom, lembro em termos, porque não consigo dizer se era uma tarde ensolarada de inverno, ou uma tarde fresca de outono. Para falar a verdade, as coisas andam tão corridas ultimamente, que nem sei falar se esse encontro bem longe do normal aconteceu esse ano, ou ano passado. O engraçado é que eu lembro da roupa que usava naquela tarde, o livro que estava lendo no banco da praça e de que precisava pegar uma jaqueta de couro na lavanderia. Mas não precisamos de detalhes. Até porque, naquela conversa, nomes não foram trocados.
Eu estava muito entretido no livro em que lia, e não vi o homem sentar-se ao meu lado.
- Desculpe-me interrompê-lo, mas você parece ser um leitor ávido, e talvez você possa me ajudar.
Demorei para suspeitar que ele estava falando comigo. Muito burro da minha parte, pois estávamos só nós dois naquele banco. Encarei o camarada. Era um senhor. Devia ter mais de 65, usava um terno muito bem passado, sapatos lustrosos, cabelos ralos e brancos alinhados. Tinha um brilho estranho nos olhos. Curiosidade talvez. Mais tarde eu descobri que não estava errado ao supor aquilo, na verdade, o homem estava atrás de respostas.
- O que o senhor precisa?
Temi soar rude, mas a culpa não era minha se ele falava com tanta formalidade, que tudo o que eu poderia falar poderia parecer grosseiro.
- O que você acha dos personagens que você encontra nos livros, dos finais felizes? - Abri minha boca para responder, mas ele ainda não tinha terminado - Você já percebeu que a nossa vida gira em torno dessas ilusões? Os filmes influenciam demais os jovens, tanto na moda, quanto em seus pensamentos. É impressionante. Agora que sou maior em idade, vejo isso com clareza.
Fiquei quieto esperando ele continuar, mas este ficou em silêncio, observando o movimento da rua.
- Me desculpe, mas as vezes as influências podem ser boas também. Uma moeda tem dois lados senhor.
- Exatamente. E isso é o pior, porque ambos os lados são traiçoeiros. O lado mau, bom, ele por si próprio já fala demais, mas o lado bom nos ilude. Demais. Nesse lado tudo o que precisa para ter uma vida maravilhosa é uma cabana, uma acompanhante e amor. Só. Você passa até a acreditar que isso é suficiente. Dependendo do filme que você assiste, os seus sonhos ficam martelando na sua cabeça no mesmo ritmo acelerado do seu coração.
- Isso deveria ser bom.
- Sim meu jovem, deveria, mas não é. Porque quando a realidade nos trás de volta, vemos que não somos personagens de um livro de aventura. A vida não obedece os mesmos padrões da literatura, infelizmente. Quando chegamos no clímax, o momento mais perigoso do herói, a crise mais eminente do protagonista, o mais delicado ponto do conflito, onde não se sabe para que lado a história penderá, ficamos esperando pelo desfecho que nos mostrará se a nossa história será um drama, ou uma comédia, mas então outros momentos de tensão chegam, e nós não conseguimos nem pensar num título para o livro que é a nossa vida. O autor da minha história deveria ser eu mesmo, mas como?
- Bom. O livro gira em torno do título, então, talvez você devesse escolher o seu título, e se esforçar em trilhar o seu caminho, e escrever a sua história sempre o respeitando.
O senhor passou a mão no cabelo, e pensou nisso por um instante. Eu queria saber o que tinha acontecido com aquele homem para estar tão incomodado. Ele não tinha falado nada dele, e isso só fazia eu querer saber mais.
- Talvez você esteja certo. Pena a vida real não ser fácil como nos filmes.
- Pois é. O senhor nunca ouviu aquela frase que diz que os filmes são os sonhos que não temos de noite, e podemos vê-los qualquer hora do dia?
- Nunca.
Ele olhou seu relógio e em seguida se levantou. Pegou uma bengala que antes eu não tinha reparado, e automaticamente eu aumentei mais 10 anos em minha nota mental. Pensei que ele partiria sem dizer adeus, muito menos agradecer, mas de novo, ele ainda não tinha terminado.
- Sabe o que eu acho o pior? Nos filmes fugir dos problemas é muito fácil. A pessoa pega uma bolsa e corre atrás de um trem, e entra nele clandestinamente. Pronto. Já nessa vida, nós ficamos presos à coisas idiotas, e não conseguimos deixá-las para trás. Uma rotina agradável, uma pessoa, um bar.
Ele deu uma risadinha.
- Oras, você deve estar me achando um homem perturbado não?
- Com certeza.
Ele riu.
- Mas acho que todos nós somos homens perturbados. - Com isso eu queria fazê-lo sentir-se melhor. Até hoje não sei se funcionou.
- É. Acho que somos sim. Ninguém presta. Todos queremos tocar o céu, mas morremos de medo de altura.
E com isso, ele foi embora. Eu fiquei ali, impotente, observando-o ir embora. Perdi a vontade de ler meu livro, e fiquei com vontade de escrever uma história. De fato, eu a escrevi. Mas não é essa não. Aquela história transformou-se num livro de um engraçado homem que tinha tudo, mas não tinha nada. Aquele livro me fez famoso, e agora sinto que tenho uma dívida com aquele homem. No máximo 4 anos se passaram daquele nosso estranho encontro, e pretendo encontrá-lo. Tomar uma xícara de café, trocar os nomes, quitar a minha dívida, pois aquele homem ajudou-me a construir a minha história, e a escolher o título da minha vida. Se é você o senhor daquele dia, por favor, me procure. Marcadores: história

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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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