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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Uma história para você nunca ler
escrito em quinta-feira, 26 de julho de 2012 às 16:19
Se ela soubesse quantas personagens eu criei depois daquele nosso encontro. São aquelas coincidências da vida sabe? Eu era apenas um escritor inexperiente, jovem, sentado na lanchonete da esquina de casa, como fazia todos os dias. Não vou mentir e dizer que estava lá em busca de inspiração, mas sim por causa dos cookies. Eles vendiam os melhores cookies do mundo. Mas falando de inspiração, isso era algo que estava realmente faltando naqueles dias. Escrevia e escrevia, e acabava rasgando folhas, me xingando, me sentindo um lixo, porque nada prestava. Nada. Todos os contos, todos os personagens pareciam forçados de mais, idealizados de mais. Distantes.
- Dois cafés. Bem forte e amargo por favor.
Ela soltou a bolsa com tudo no balcão, e sentou-se no banco ao lado do meu. Não queria ficar olhando, mas algo chamava minha atenção. Em primeiro lugar: sua roupa. Não ache que sou gay, ou algo do tipo, mas por ser escritor, tenho que ser bom com detalhes. Ela usava um shorts jeans de cintura alta , um cinto trançado marrom. Sua camiseta, de um ombro caído, era do batman. Preta, o símbolo dele em amarelo, e em baixo algo do tipo: não está me ouvindo pedindo ajuda? Nos pés, um cuturno marrom. E muitos, muitos acessórios. Vários anéis, pulseiras, colares. Mas não ache-a brega. Ela era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Os olhos verdes, o cabelo curto, na altura dos ombros. A pele clara. E a covinha. Eu sabia que estava ali, escondida. Bastava ela sorrir, que ela apareceria.
- O que você está olhando? Nunca viu alguém chorar?
Me recuperei do choque. Ela olhava intensamente e impaciente para mim. Os olhos vermelhos, acusadores, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Uma firmeza que eu sabia que existia em decorrência da dor.
- Me desculpe, eu...
- Não me interessa.
Em segundo lugar: o temperamento. Não tentava esconder a sua dor. Ou talvez ela vinha escondendo fazia muito tempo, e finalmente desistiu. Talvez ela ainda esteja escondendo. Eu não sei onde ela mora. Talvez muito longe daqui. Talvez nem more na cidade. Mas sei lá, eu gostei daquela grosseria dela, porque ao mesmo tempo que não parecia nada com ela, parecia tudo com ela, se é que você me entende.
O pedido dela chegou e ela pareceu se desligar do mundo. De mim. Parecia estar sonhando acordada, e me perguntava com quem seria. Não gostei disso. Um poço de mistérios havia sido cavado, e a cada segundo que se passava ele ficava mais fundo, mais escuro, e eu queria provar um pouco da água dele. Estranho. Mas eu queria me intrometer na vida dela.
- Sabe - ela virou para mim, de repente - as vezes você não sente que corre e corre e não sai do lugar?
Ela não esperou uma resposta. Eu percebi logo de cara que ela não queria isso, só queria que alguém a ouvisse. Por isso só balancei minha cabeça em concordância.
- As pessoas estão sempre presentes, correndo as vezes junto com você, mas quando você pede um pouco de água de suas garrafas elas não dão. É aí que você percebe que elas não estão ali por você. E tem mais... Nessa corrida eu sempre tropeçava, mas ultimamente percebi que estou tropeçando no meu próprio coração. Ele está me passando a perna de novo, e eu tinha me prometido que nunca mais deixaria ele me enganar, que seguiria em frente e nunca mais olharia pra trás. Mas poxa, como eu fui idiota de pensar que isso funcionaria. Aqui estou eu em uma lanchonete, desabafando com um cara que eu nem conheço e que deve estar me achando uma louca. E esse café nem está muito bom - ela levantou o braço, erguendo a xícara, mas o movimento foi rápido demais, e o líquido caiu em sua camiseta.
Eu tentei segurar o riso diante daquela cena. A cara de indignação, as blasfêmias ditas num sussurro, as lágrimas teimando sair de novo de seus olhos. Ela era linda. Eu estendi de imediato um lenço, mas sem olhar para mim, ela bateu em minha mão. Acho que ela não queria ajuda.
Eu virei para o meu cookie e soltei um risinho antes de dar uma mordida. Para o meu azar - ou sorte - ela ouviu.
- Que foi?
Agora lágrimas escorriam de seus olhos.
- Esse cara aqui, que você nem conhece, se chama Jason. E ele não acha você uma louca, todo mundo passa por momentos difíceis. O seu café está horrível, porque realmente, o café daqui é horrível, mas você deveria experimentar o... - eu levantei os braços e chamei a garçonete - Moça, por favor, me traz um macchiato e uma água?
Ela enxugou as lágrimas. Via que ela estava meio relutante em confiar em mim ou não.
- Nem um pouquinho louca?
- Bom, acho que todos somos um pouco né. Mas a sua camiseta maneira do Batman está atrapalhando o meu julgamento.
Ela deu uma risada. Uma risada curta, mas foi o suficiente para eu ver a sua covinha.
O pedido chegou e eu entreguei os dois para ela.
- Para que a água? - então ela entendeu. Seus olhos se arregalaram um pouquinho, diante do meu atrevimento.
Eu queria que ela entendesse que eu estava interessado nela. Pelo menos em sua história. E que pelo menos por uma tarde, estaria ali por ela somente.
Demorou para ela começar a falar.
- Não é uma coisa muito fácil de explicar. Eu mal entendo pelo que estou passando, imagina então as minhas amigas. Elas já cansaram de tentar me consolar, e eu não as culpo, eu mesma já estou cansada de todo esse drama. Mas eu sinto falta de algum... reconhecimento. Eu venho tentando ser forte, e venho sendo muito paciente com as pessoas. Muito. Até demais. Mas parece que ninguém percebe, que ninguém liga. Eu estou tão cansada disso, desse coração frio, pesado, de carregar o mundo nas costas, que hoje eu explodi.
- É, eu já percebi que você é meio poderosa.
Ela riu. Mais uma vez eu a admirei. Ela era tão pequenininha, tão delicada, tão misteriosa.
- As vezes eu acho que sei no que estou errando, mas eu coloquei aquilo como um prêmio. Não sei se você entende. Mas eu estou correndo e lutando por algo que sei que é errado. E é muito difícil aceitar que talvez eu nunca vou conseguir chegar nessa linha de chegada. Talvez eu chegue, só que em último lugar. Talvez eu nem termine essa corrida. Faz tempo que estou tomando coragem para abandonar tudo isso, fugir dessa cidade, recomeçar, e enterrar os meus sonhos e toda essa bobagem que me persegue à anos, mas tá difícil. Parece que o meu coração gosta de erros, e bom, pontos negativos é tudo o que o meu prêmio tem.
- Me desculpe perguntar, mas sinto que não estamos falando de alguma coisa, mas sim de alguém.
Ela engoliu em seco. Eu havia atingido um ponto delicado.
- O que ele fez?
- O que não deveria. Fez eu me apaixonar por ele. - Ela começou a mexer nervosamente em seu cabelo, e com um rabicó do pulso, o amarrou num rabo-de-cavalo, deixando-o todo espetado - Eu era louca por ele quando pequena, mas você sabe, pequena, nada funciona naquela idade. Mas agora, como se fosse possível, essa paixão voltou inesperadamente, e é como se eu tivesse 13 anos de novo. Não sei como agir, nem o que falar. Não consigo sustentar uma conversa, muito menos uma amizade. Eu só queria uma continuação que desse certo. Na verdade, nem sei se quero o amor dele, porque eu sei que ele não é o melhor para mim, e nem tudo é sobre o amor, acho que agora é mais uma questão de auto-realização. Queria colocar um fim nessa história. Um final feliz, se é que isso existe.
- Bom, eu sou um escritor, e acredito sim em finais felizes.
Ela riu.
- Se você fosse eu, o que faria?
- Bom, se eu fosse você, já estaria mais que cansado disso tudo. E pelo o que você me disse, parece que tá tudo ferrado mesmo, então eu tentaria colocar um fim nisso tudo, e mudaria de corrida. Trocaria os competidores, a equipe de apoio, o prêmio.
Num pulo, ela já estava de pé no meu lado.
- Quer saber? Eu vou fazer isso mesmo.
Quando se abaixou para pegar a bolsa no chão, bateu a cabeça no balcão, mas a coitadinha estava tão empolgada em colocar um ponto final nesse capítulo de sua vida, que nem ligou.
Com uma mão na testa ela aproximou-se e deu um beijinho em meu rosto.
- Obrigada Jason, o cara da lanchonete, que eu nem conheço.
Então ela partiu. Da mesma velocidade com que surgira, ela sumiu, e eu me senti só. E depois de tudo aquilo, a única coisa que eu conseguia pensar é que eu deveria ter ficado com ela. Perguntado o seu nome. Pedido o seu telefone. Sabia que não durmiria naquela noite de jeito nenhum.
- Ah, tá tudo ferrado mesmo.
Foi o que eu disse em voz alta antes de sair correndo da lanchonete, sem pagar a conta, e indo atrás de uma garota maluca com a camiseta do batman que eu tinha quase certeza que estava me apaixonando.
- Por que você me deu essa história para ler só agora?
Ele riu, e automaticamente, a minha risada se confundiu com a dele. Eu adorava isso. E também gostava o fato dele ver nas minhas reações algo além da minha compreensão. Isso deveria me irritar, mas não.
- Já se passaram 3 anos que nos conhecemos, e eu queria que você entendesse como eu me senti quando te conheci.
- Você poderia muito bem ter exagerado nessa história, afinal - eu me aproximei no sofá procurando carinho, e Jason logo me puxou para perto - parece que o seu principal público sou eu.
- Bom, isso cabe a você decidir o que é verdade ou não.
- Acho que a parte que você disse que eu era a coisa mais linda que você já vira estava bem convincente.
Ele aproximou seu rosto do meu, beijou a minha testa e disse "resposta correta".
- E a parte que eu a amei verdadeiramente... você acredita em amor a primeira vista?
Eu deixei a voz dele aquecer o meu coração.
- Acho que você foi bem convincente nessa parte quando apareceu todo esbaforido gritando atrás do taxi, tentando chamar a minha atenção.
- E parece que eu consegui.
- Conseguiu.
- Mas e em amor verdadeiro? Finais felizes? Um casamento feliz?
- Um casamento feliz?
- Isso. Um casamento feliz.
Antes mesmo dele tirar a aliança do bolso, e ajoelhar no chão, eu já sabia qual seria a minha resposta: sim!
História pra Raíssa, Raíssa somente (:
Marcadores: história

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Uma história para você nunca ler
escrito em quinta-feira, 26 de julho de 2012 às 16:19
Se ela soubesse quantas personagens eu criei depois daquele nosso encontro. São aquelas coincidências da vida sabe? Eu era apenas um escritor inexperiente, jovem, sentado na lanchonete da esquina de casa, como fazia todos os dias. Não vou mentir e dizer que estava lá em busca de inspiração, mas sim por causa dos cookies. Eles vendiam os melhores cookies do mundo. Mas falando de inspiração, isso era algo que estava realmente faltando naqueles dias. Escrevia e escrevia, e acabava rasgando folhas, me xingando, me sentindo um lixo, porque nada prestava. Nada. Todos os contos, todos os personagens pareciam forçados de mais, idealizados de mais. Distantes.
- Dois cafés. Bem forte e amargo por favor.
Ela soltou a bolsa com tudo no balcão, e sentou-se no banco ao lado do meu. Não queria ficar olhando, mas algo chamava minha atenção. Em primeiro lugar: sua roupa. Não ache que sou gay, ou algo do tipo, mas por ser escritor, tenho que ser bom com detalhes. Ela usava um shorts jeans de cintura alta , um cinto trançado marrom. Sua camiseta, de um ombro caído, era do batman. Preta, o símbolo dele em amarelo, e em baixo algo do tipo: não está me ouvindo pedindo ajuda? Nos pés, um cuturno marrom. E muitos, muitos acessórios. Vários anéis, pulseiras, colares. Mas não ache-a brega. Ela era a coisa mais linda que eu já tinha visto. Os olhos verdes, o cabelo curto, na altura dos ombros. A pele clara. E a covinha. Eu sabia que estava ali, escondida. Bastava ela sorrir, que ela apareceria.
- O que você está olhando? Nunca viu alguém chorar?
Me recuperei do choque. Ela olhava intensamente e impaciente para mim. Os olhos vermelhos, acusadores, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Uma firmeza que eu sabia que existia em decorrência da dor.
- Me desculpe, eu...
- Não me interessa.
Em segundo lugar: o temperamento. Não tentava esconder a sua dor. Ou talvez ela vinha escondendo fazia muito tempo, e finalmente desistiu. Talvez ela ainda esteja escondendo. Eu não sei onde ela mora. Talvez muito longe daqui. Talvez nem more na cidade. Mas sei lá, eu gostei daquela grosseria dela, porque ao mesmo tempo que não parecia nada com ela, parecia tudo com ela, se é que você me entende.
O pedido dela chegou e ela pareceu se desligar do mundo. De mim. Parecia estar sonhando acordada, e me perguntava com quem seria. Não gostei disso. Um poço de mistérios havia sido cavado, e a cada segundo que se passava ele ficava mais fundo, mais escuro, e eu queria provar um pouco da água dele. Estranho. Mas eu queria me intrometer na vida dela.
- Sabe - ela virou para mim, de repente - as vezes você não sente que corre e corre e não sai do lugar?
Ela não esperou uma resposta. Eu percebi logo de cara que ela não queria isso, só queria que alguém a ouvisse. Por isso só balancei minha cabeça em concordância.
- As pessoas estão sempre presentes, correndo as vezes junto com você, mas quando você pede um pouco de água de suas garrafas elas não dão. É aí que você percebe que elas não estão ali por você. E tem mais... Nessa corrida eu sempre tropeçava, mas ultimamente percebi que estou tropeçando no meu próprio coração. Ele está me passando a perna de novo, e eu tinha me prometido que nunca mais deixaria ele me enganar, que seguiria em frente e nunca mais olharia pra trás. Mas poxa, como eu fui idiota de pensar que isso funcionaria. Aqui estou eu em uma lanchonete, desabafando com um cara que eu nem conheço e que deve estar me achando uma louca. E esse café nem está muito bom - ela levantou o braço, erguendo a xícara, mas o movimento foi rápido demais, e o líquido caiu em sua camiseta.
Eu tentei segurar o riso diante daquela cena. A cara de indignação, as blasfêmias ditas num sussurro, as lágrimas teimando sair de novo de seus olhos. Ela era linda. Eu estendi de imediato um lenço, mas sem olhar para mim, ela bateu em minha mão. Acho que ela não queria ajuda.
Eu virei para o meu cookie e soltei um risinho antes de dar uma mordida. Para o meu azar - ou sorte - ela ouviu.
- Que foi?
Agora lágrimas escorriam de seus olhos.
- Esse cara aqui, que você nem conhece, se chama Jason. E ele não acha você uma louca, todo mundo passa por momentos difíceis. O seu café está horrível, porque realmente, o café daqui é horrível, mas você deveria experimentar o... - eu levantei os braços e chamei a garçonete - Moça, por favor, me traz um macchiato e uma água?
Ela enxugou as lágrimas. Via que ela estava meio relutante em confiar em mim ou não.
- Nem um pouquinho louca?
- Bom, acho que todos somos um pouco né. Mas a sua camiseta maneira do Batman está atrapalhando o meu julgamento.
Ela deu uma risada. Uma risada curta, mas foi o suficiente para eu ver a sua covinha.
O pedido chegou e eu entreguei os dois para ela.
- Para que a água? - então ela entendeu. Seus olhos se arregalaram um pouquinho, diante do meu atrevimento.
Eu queria que ela entendesse que eu estava interessado nela. Pelo menos em sua história. E que pelo menos por uma tarde, estaria ali por ela somente.
Demorou para ela começar a falar.
- Não é uma coisa muito fácil de explicar. Eu mal entendo pelo que estou passando, imagina então as minhas amigas. Elas já cansaram de tentar me consolar, e eu não as culpo, eu mesma já estou cansada de todo esse drama. Mas eu sinto falta de algum... reconhecimento. Eu venho tentando ser forte, e venho sendo muito paciente com as pessoas. Muito. Até demais. Mas parece que ninguém percebe, que ninguém liga. Eu estou tão cansada disso, desse coração frio, pesado, de carregar o mundo nas costas, que hoje eu explodi.
- É, eu já percebi que você é meio poderosa.
Ela riu. Mais uma vez eu a admirei. Ela era tão pequenininha, tão delicada, tão misteriosa.
- As vezes eu acho que sei no que estou errando, mas eu coloquei aquilo como um prêmio. Não sei se você entende. Mas eu estou correndo e lutando por algo que sei que é errado. E é muito difícil aceitar que talvez eu nunca vou conseguir chegar nessa linha de chegada. Talvez eu chegue, só que em último lugar. Talvez eu nem termine essa corrida. Faz tempo que estou tomando coragem para abandonar tudo isso, fugir dessa cidade, recomeçar, e enterrar os meus sonhos e toda essa bobagem que me persegue à anos, mas tá difícil. Parece que o meu coração gosta de erros, e bom, pontos negativos é tudo o que o meu prêmio tem.
- Me desculpe perguntar, mas sinto que não estamos falando de alguma coisa, mas sim de alguém.
Ela engoliu em seco. Eu havia atingido um ponto delicado.
- O que ele fez?
- O que não deveria. Fez eu me apaixonar por ele. - Ela começou a mexer nervosamente em seu cabelo, e com um rabicó do pulso, o amarrou num rabo-de-cavalo, deixando-o todo espetado - Eu era louca por ele quando pequena, mas você sabe, pequena, nada funciona naquela idade. Mas agora, como se fosse possível, essa paixão voltou inesperadamente, e é como se eu tivesse 13 anos de novo. Não sei como agir, nem o que falar. Não consigo sustentar uma conversa, muito menos uma amizade. Eu só queria uma continuação que desse certo. Na verdade, nem sei se quero o amor dele, porque eu sei que ele não é o melhor para mim, e nem tudo é sobre o amor, acho que agora é mais uma questão de auto-realização. Queria colocar um fim nessa história. Um final feliz, se é que isso existe.
- Bom, eu sou um escritor, e acredito sim em finais felizes.
Ela riu.
- Se você fosse eu, o que faria?
- Bom, se eu fosse você, já estaria mais que cansado disso tudo. E pelo o que você me disse, parece que tá tudo ferrado mesmo, então eu tentaria colocar um fim nisso tudo, e mudaria de corrida. Trocaria os competidores, a equipe de apoio, o prêmio.
Num pulo, ela já estava de pé no meu lado.
- Quer saber? Eu vou fazer isso mesmo.
Quando se abaixou para pegar a bolsa no chão, bateu a cabeça no balcão, mas a coitadinha estava tão empolgada em colocar um ponto final nesse capítulo de sua vida, que nem ligou.
Com uma mão na testa ela aproximou-se e deu um beijinho em meu rosto.
- Obrigada Jason, o cara da lanchonete, que eu nem conheço.
Então ela partiu. Da mesma velocidade com que surgira, ela sumiu, e eu me senti só. E depois de tudo aquilo, a única coisa que eu conseguia pensar é que eu deveria ter ficado com ela. Perguntado o seu nome. Pedido o seu telefone. Sabia que não durmiria naquela noite de jeito nenhum.
- Ah, tá tudo ferrado mesmo.
Foi o que eu disse em voz alta antes de sair correndo da lanchonete, sem pagar a conta, e indo atrás de uma garota maluca com a camiseta do batman que eu tinha quase certeza que estava me apaixonando.
- Por que você me deu essa história para ler só agora?
Ele riu, e automaticamente, a minha risada se confundiu com a dele. Eu adorava isso. E também gostava o fato dele ver nas minhas reações algo além da minha compreensão. Isso deveria me irritar, mas não.
- Já se passaram 3 anos que nos conhecemos, e eu queria que você entendesse como eu me senti quando te conheci.
- Você poderia muito bem ter exagerado nessa história, afinal - eu me aproximei no sofá procurando carinho, e Jason logo me puxou para perto - parece que o seu principal público sou eu.
- Bom, isso cabe a você decidir o que é verdade ou não.
- Acho que a parte que você disse que eu era a coisa mais linda que você já vira estava bem convincente.
Ele aproximou seu rosto do meu, beijou a minha testa e disse "resposta correta".
- E a parte que eu a amei verdadeiramente... você acredita em amor a primeira vista?
Eu deixei a voz dele aquecer o meu coração.
- Acho que você foi bem convincente nessa parte quando apareceu todo esbaforido gritando atrás do taxi, tentando chamar a minha atenção.
- E parece que eu consegui.
- Conseguiu.
- Mas e em amor verdadeiro? Finais felizes? Um casamento feliz?
- Um casamento feliz?
- Isso. Um casamento feliz.
Antes mesmo dele tirar a aliança do bolso, e ajoelhar no chão, eu já sabia qual seria a minha resposta: sim!
História pra Raíssa, Raíssa somente (:
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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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