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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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E falando da morte...
escrito em quarta-feira, 19 de setembro de 2012 às 13:27
Eu cheguei a tempo de ver a garota morrer. Seu cabelo vermelho se misturava com o seu sangue naquele asfalto escuro, seus olhos ainda estavam abertos e eles brilhavam intensamente em meio àquele rosto palido. Aquele brilho inútil que variava entre desejo de continuar vivendo ou de não morrer até que alguém escutasse suas últimas palavras. Naquele caso, era o último. Sua respiração lenta e fraca era o som mais alto naquela rodovida.
Enquanto eu esperava a hora certa de recolhe-la, uma garota saiu de bruços do carro completamente destruído. Ela tinha sangue pelo corpo inteiro, assim como cacos de vidro, mas quando viu aquela ruiva caída no chão, lutando para sobreviver, se arrastou naquele caos, quase trombando em mim, e desesperada, já em prantos, começou a fazer promessas de que ela sobreviveria.
Ela apoiou a cabeça daquela que eu não sabia se era amiga, irmã, tia, prima, em sua perna, e começou a pedir desculpas. Pelo jeito, era ela quem estava dirigindo, mas isso não importava. Não para mim. Não importa o jeito de como eu chego até as pessoas, o dia que eu chego, elas sempre reclamam. Sempre acham a vida injusta, mas é exatamente isso que eu não entendo, se eles acham que é a vida quem é injusta, porque eles reclamam da morte?
Bom, eu não tenho culpa nenhuma, eu só faço o meu trabalho e recolho suas almas, enfim. Enquanto eu observava, a ruiva puxou a cabeça da companheira - companheira, que ridículo - e sussurrou alguma coisa. Infelizmente, eu não consegui ouvir. Uma Dona Morte curiosa não é muito recomendável, existem muitas mortes curiosas por aí. Por exemplo, eu simplesmente não consigo entender como algumas pessoas têm coragem de tirar sua própria vida pulando de prédios, tomando muitos remédios ou enfiando uma bala na cabeça delas. É algo incompreensível. Mas eu também acho engraçado como as vezes parece que as pessoas más vivem muito mais que as boas. Me lembro muito bem daquele homem de bigode engraçado que fez eu trabalhar que nem uma louca, caminhando por diferentes lugares, carregando em meus braços vários judeos, crianças indefesas, cidadãos que perderam suas vidas num ataque de bomba repentino. Aquele eu estava louca para pegar sua alminha, que depois descobri com prazer que era magricela, fracote de essência, e fria, fria que nem um gelo. O pior tipo que se encontra. Ela mal brilha, mas infelizmente, aquele durou bastante tempo.
Bom, pelo menos para mim pareceu muito tempo, porque não sei se você sabe, o tempo para mim não é igual o dos humanos, que é algo que se dá para contar. Não. O meu o dia é extenso, não acaba. Muito trabalho, muito. E isso é outra coisa que eu não consigo entender, a forma como as pessoas não conseguem aceitar a morte. Elas sabem muito bem que todo mundo nasce, cresce, envelhece e morre. Pelo menos, essa é a ordem natural das coisas. Mas todo mundo sabe que a morte é muito rápida, e incontrolável. Sabem que não tem como prevení-la, sim, as vezes parece que tem como atrasá-la, ao tomarem vacinas e aquelas outras drogas, mas quem garante que você não irá sofrer um acidente, ou será assassinado? Mas sempre que eu chego adiantada, encontro aquele brilho nos olhos, aquele instinto de sobreviver. As pessoas chegam a implorar, prometer coisas que não conseguirão cumprir, alguns chegam a orar pela primeira vez na vida, sem saber ao menos à quem direcionar sua prece.
Não sei explicar porque são assim, sabe, eu mesma já fui um humano uma vez, mas aquela minha vida foi à eras atrás, e está tudo embaçado agora. Porém eu não consigo entender. Eles já deveriam estar acostumados. Eles só escutam sobre morte, assistem sobre morte, falam sobre morte, e alguns chegam a matar. Uns chegam a matar até os próprios filhos.
E falando da morte, aqui está ela. A hora havia chegado. Eu me aproximei silenciosamente, e num timing perfeito, peguei aquela delicada alma. Era quentinha. Uma das melhores. A garota deu um grito e começou a balançar o corpo inerte. Por que eles sempre o balançam? Isso também é outra coisa que não entendo. Mas uma coisa eu tinha certeza, aquela pobre garota sentada na minha frente se culparia por um bom tempo pela morte da outra.
Fiquei por um tempo ali, por algum motivo que eu também não conseguia entender, apenas observando, até que percebi que não poderia demorar mais um segundo. Fui embora dali desejando férias, pois não era a morte quem estava me incomodando, e sim aqueles que a causavam.
Marcadores: história

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E falando da morte...
escrito em quarta-feira, 19 de setembro de 2012 às 13:27
Eu cheguei a tempo de ver a garota morrer. Seu cabelo vermelho se misturava com o seu sangue naquele asfalto escuro, seus olhos ainda estavam abertos e eles brilhavam intensamente em meio àquele rosto palido. Aquele brilho inútil que variava entre desejo de continuar vivendo ou de não morrer até que alguém escutasse suas últimas palavras. Naquele caso, era o último. Sua respiração lenta e fraca era o som mais alto naquela rodovida.
Enquanto eu esperava a hora certa de recolhe-la, uma garota saiu de bruços do carro completamente destruído. Ela tinha sangue pelo corpo inteiro, assim como cacos de vidro, mas quando viu aquela ruiva caída no chão, lutando para sobreviver, se arrastou naquele caos, quase trombando em mim, e desesperada, já em prantos, começou a fazer promessas de que ela sobreviveria.
Ela apoiou a cabeça daquela que eu não sabia se era amiga, irmã, tia, prima, em sua perna, e começou a pedir desculpas. Pelo jeito, era ela quem estava dirigindo, mas isso não importava. Não para mim. Não importa o jeito de como eu chego até as pessoas, o dia que eu chego, elas sempre reclamam. Sempre acham a vida injusta, mas é exatamente isso que eu não entendo, se eles acham que é a vida quem é injusta, porque eles reclamam da morte?
Bom, eu não tenho culpa nenhuma, eu só faço o meu trabalho e recolho suas almas, enfim. Enquanto eu observava, a ruiva puxou a cabeça da companheira - companheira, que ridículo - e sussurrou alguma coisa. Infelizmente, eu não consegui ouvir. Uma Dona Morte curiosa não é muito recomendável, existem muitas mortes curiosas por aí. Por exemplo, eu simplesmente não consigo entender como algumas pessoas têm coragem de tirar sua própria vida pulando de prédios, tomando muitos remédios ou enfiando uma bala na cabeça delas. É algo incompreensível. Mas eu também acho engraçado como as vezes parece que as pessoas más vivem muito mais que as boas. Me lembro muito bem daquele homem de bigode engraçado que fez eu trabalhar que nem uma louca, caminhando por diferentes lugares, carregando em meus braços vários judeos, crianças indefesas, cidadãos que perderam suas vidas num ataque de bomba repentino. Aquele eu estava louca para pegar sua alminha, que depois descobri com prazer que era magricela, fracote de essência, e fria, fria que nem um gelo. O pior tipo que se encontra. Ela mal brilha, mas infelizmente, aquele durou bastante tempo.
Bom, pelo menos para mim pareceu muito tempo, porque não sei se você sabe, o tempo para mim não é igual o dos humanos, que é algo que se dá para contar. Não. O meu o dia é extenso, não acaba. Muito trabalho, muito. E isso é outra coisa que eu não consigo entender, a forma como as pessoas não conseguem aceitar a morte. Elas sabem muito bem que todo mundo nasce, cresce, envelhece e morre. Pelo menos, essa é a ordem natural das coisas. Mas todo mundo sabe que a morte é muito rápida, e incontrolável. Sabem que não tem como prevení-la, sim, as vezes parece que tem como atrasá-la, ao tomarem vacinas e aquelas outras drogas, mas quem garante que você não irá sofrer um acidente, ou será assassinado? Mas sempre que eu chego adiantada, encontro aquele brilho nos olhos, aquele instinto de sobreviver. As pessoas chegam a implorar, prometer coisas que não conseguirão cumprir, alguns chegam a orar pela primeira vez na vida, sem saber ao menos à quem direcionar sua prece.
Não sei explicar porque são assim, sabe, eu mesma já fui um humano uma vez, mas aquela minha vida foi à eras atrás, e está tudo embaçado agora. Porém eu não consigo entender. Eles já deveriam estar acostumados. Eles só escutam sobre morte, assistem sobre morte, falam sobre morte, e alguns chegam a matar. Uns chegam a matar até os próprios filhos.
E falando da morte, aqui está ela. A hora havia chegado. Eu me aproximei silenciosamente, e num timing perfeito, peguei aquela delicada alma. Era quentinha. Uma das melhores. A garota deu um grito e começou a balançar o corpo inerte. Por que eles sempre o balançam? Isso também é outra coisa que não entendo. Mas uma coisa eu tinha certeza, aquela pobre garota sentada na minha frente se culparia por um bom tempo pela morte da outra.
Fiquei por um tempo ali, por algum motivo que eu também não conseguia entender, apenas observando, até que percebi que não poderia demorar mais um segundo. Fui embora dali desejando férias, pois não era a morte quem estava me incomodando, e sim aqueles que a causavam.
Marcadores: história

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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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