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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Aquela dor suicida
escrito em sábado, 8 de dezembro de 2012 às 09:34
Era um calor abafado. Sem nenhum vento, nenhuma brisa, nem algum sopro. Nada. O sol despontava no céu sozinho. Só ele. Nenhuma nuvem o incomodava e trazia uma trégua de alguns segundos para nós. Para mim. Ninguém me dava um espaço para respirar ultimamente. Ninguém parava para me ouvir. Todos só ignoravam aquele gordo com ideias absurdas. Gordo. Eu era.
A camiseta grudava em minha pele, absorvendo toda gota de suor que teimava em escorrer pelo meu corpo flácido. Meus braços pendiam pesados em volta do meu corpo. Gotas de suor pingavam do meu nariz, orelha, encharcavam meu cabelo, acumulavam-se nas minhas dobras e faziam o meu pé escorregar no sapato. Eu segurava um lenço que de vez em quando passava em meu rosto, mas ele parecia estar mais molhado do que minha pele. Talvez se eu o torcesse...
Eu continuei naquele passo tropego, naquele vagar que parecia sem rumo para os outros. E que de certo modo era, mas ele estava seguindo o meu objetivo, que era ir para o mais longe possível dessa cidade, desse povo. Enquanto andava, poeira se erguia da estrada de chão batido e grudava em mim. Eu estava encharcado e sujo. Era tomado como andarilho pelas pessoas que passavam por mim. Eu, o gordo rico da cidade, agora totalmente invisível. Finalmente uma notícia boa. Finalmente.
Lembrei das últimas semanas. O corpo de olhos arregalados que encontrei na banheira. A carta que foi deixada na mesa da frente. O testamento que deixou tudo para mim. Filho único, e agora, órfão. Órfão. Sozinho. Abandonado. Abandonado pela própria mãe. Uma vertigem fez tudo rodar, e o dia pareceu escurecer, mas eu não parei de andar. Como que ninguém me entendia? Como que eles tinham coragem de me consolar? Tudo aquilo fora muito estudado. Aquela morte não foi uma decisão de uma noite para a outra. O dia, a forma, tudo foi analisado, do jeito que a minha mãe sempre foi. Meticulosa. Meticulosa na vida, meticulosa na morte. Ela sempre quis estar no controle, e pelo jeito, queria estar no controle da morte. O quê? Ela achou que eu aceitaria que descartar a vida dela era fácil assim como descartar uma vida com o seu filho? Ela achou que eu simplesmente tomaria isso com uma decisão sensata e continuaria com a minha vida? Ou será que aquele filho gordo dela, que sempre esteve fora de seus padrões, provaria sua burrice pegando aquele dinheiro e gastando em festas até finalmente conseguir continuar com a vida?
Eu estava bravo. Estava arrasado. Me sentia traído. Eu fora enganado, e agora me perguntava se ela havia me amado de verdade algum dia. A dor da resposta que ecoou em minha cabeça fez com que eu caísse de cara na terra vermelha. Se ela me amasse, ela não teria me deixado.
Marcadores: história

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Aquela dor suicida
escrito em sábado, 8 de dezembro de 2012 às 09:34
Era um calor abafado. Sem nenhum vento, nenhuma brisa, nem algum sopro. Nada. O sol despontava no céu sozinho. Só ele. Nenhuma nuvem o incomodava e trazia uma trégua de alguns segundos para nós. Para mim. Ninguém me dava um espaço para respirar ultimamente. Ninguém parava para me ouvir. Todos só ignoravam aquele gordo com ideias absurdas. Gordo. Eu era.
A camiseta grudava em minha pele, absorvendo toda gota de suor que teimava em escorrer pelo meu corpo flácido. Meus braços pendiam pesados em volta do meu corpo. Gotas de suor pingavam do meu nariz, orelha, encharcavam meu cabelo, acumulavam-se nas minhas dobras e faziam o meu pé escorregar no sapato. Eu segurava um lenço que de vez em quando passava em meu rosto, mas ele parecia estar mais molhado do que minha pele. Talvez se eu o torcesse...
Eu continuei naquele passo tropego, naquele vagar que parecia sem rumo para os outros. E que de certo modo era, mas ele estava seguindo o meu objetivo, que era ir para o mais longe possível dessa cidade, desse povo. Enquanto andava, poeira se erguia da estrada de chão batido e grudava em mim. Eu estava encharcado e sujo. Era tomado como andarilho pelas pessoas que passavam por mim. Eu, o gordo rico da cidade, agora totalmente invisível. Finalmente uma notícia boa. Finalmente.
Lembrei das últimas semanas. O corpo de olhos arregalados que encontrei na banheira. A carta que foi deixada na mesa da frente. O testamento que deixou tudo para mim. Filho único, e agora, órfão. Órfão. Sozinho. Abandonado. Abandonado pela própria mãe. Uma vertigem fez tudo rodar, e o dia pareceu escurecer, mas eu não parei de andar. Como que ninguém me entendia? Como que eles tinham coragem de me consolar? Tudo aquilo fora muito estudado. Aquela morte não foi uma decisão de uma noite para a outra. O dia, a forma, tudo foi analisado, do jeito que a minha mãe sempre foi. Meticulosa. Meticulosa na vida, meticulosa na morte. Ela sempre quis estar no controle, e pelo jeito, queria estar no controle da morte. O quê? Ela achou que eu aceitaria que descartar a vida dela era fácil assim como descartar uma vida com o seu filho? Ela achou que eu simplesmente tomaria isso com uma decisão sensata e continuaria com a minha vida? Ou será que aquele filho gordo dela, que sempre esteve fora de seus padrões, provaria sua burrice pegando aquele dinheiro e gastando em festas até finalmente conseguir continuar com a vida?
Eu estava bravo. Estava arrasado. Me sentia traído. Eu fora enganado, e agora me perguntava se ela havia me amado de verdade algum dia. A dor da resposta que ecoou em minha cabeça fez com que eu caísse de cara na terra vermelha. Se ela me amasse, ela não teria me deixado.
Marcadores: história

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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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