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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Uma discussão acalorada
escrito em domingo, 30 de dezembro de 2012 às 07:33


       A discussão começou com a mesma velocidade que uma ideia demora para surgir. Nós estávamos sentados na varanda, os salgadinhos sendo servidos, os cabelos presos. Estava quente. E o calor da discussão e das risadas que se seguiam faziam a temperatura subir alguns graus. Principalmente na minha tia, que começava a suar e a balançar a mão no ar, com aquele esmalte fosforesceste, com certeza de que era ela a que estava correta.
       - Não faz mais de 15 anos, disso eu tenho certeza!
       Risadas faziam o ar vibrar.
       - Mas como isso é possível tia? – falava inconformado o meu primo. Sua namorada estava enroscada em seu braço, num vestido curto, o óculos estava na ponta do nariz. Eu tenho foto nesse quintal só com 4 anos, e a árvore já estava gigante, com direito a manga no pé. E não vamos esquecer que eu já tenho 25 anos!
       - Impossível! – ela gritava. Foi o meu marido que plantou esse pé. Ele tinha duas mudas. Levou uma para casa e plantou a outra aqui.
       O meu pai se empertigou na cadeira. Aí vinha bomba, eu pensei.
       - Verdade! O safado do seu marido levou a melhor muda para ele, e deixou aqui na casa da mamãe a pior.
       Seus irmãos deram risadas. Eram 11 ao todo, e bastava reuni-los – o que dava muito trabalho – que eles conseguiam discutir horas e horas sobre um assunto banal. A idade de um pé de manga por exemplo.
       - Eu lembro muito bem do Felipe com medo de descer do primeiro galho desse pé, e ele tinha apenas 5 anos, e isso já faz 30 anos.
       Nesse momento eu pensei que a minha tia explodiria.
       - 30 anos? A me faça o favor Marilene. Esse medroso aí tinha 15 anos. Não é Felipe?
       Todo mundo se virou para o coitado do meu tio, que estava prestando mais atenção na sua cerveja do que na discussão que o circundava. Vendo que todo mundo o olhava, soltou alguns gemidos e balançou a cabeça concordando. Dei risada da onde estava sentada do susto que ele levou devido a reação que se seguiu da minha família. Todo mundo começou a gritar em desaprovação, mandando ele beber e não se meter na confusão, porque ele não sabia de nada. Já a minha tia berrava, com um sorriso enorme, de satisfação, falando como ela estava certa desde o início. O pequeno Joe, de apenas um ano, dava risada de tudo, e berrava algumas palavras inteligíveis lá de sua cadeirinha. Os primos não ficavam de fora também. Atrás de toda essa confusão, a mangueira parecia observar tudo. Nenhum vento balançava suas folhas. Estava muito quente.
       - Alguém trás aqui a Dona Diva!
       - Cadê a mamãe?
       - Chama a vó!
       - Alguém tira ela daquela cozinha por favor!
       Era o que todos começaram a bradar, de um momento para o outro. Todos queriam saber finalmente quem estava certo. Da porta da sala, a minha avó surgiu. Pequenininha, usando um vestido florido e um avental que dizia “Vovó coruja”. Usava o colar que eu havia dado para ela no seu aniversário de 80 anos, e na mão, a aliança, mesmo sendo viúva.
       Bastou ela aparecer, que todos começaram a fazer perguntas. A coitada deu risada, tentando entender do que tudo aquilo se tratava.
       - Vó! – Eu chamei, mais alto do que todos os outros. Fez-se se silêncio e eu finalmente pude perguntar quantos anos tinha o pé de manga.
       Ela se apoiou no vão da porta, e limpou o suor da testa.
       - Esse pé aí? Bom, eu lembro que foi o Cesar que apareceu com duas mudas uma tarde aqui em casa. Ele escolheu a melhor pra ele, e plantou a mais feia aqui em casa.
       - Falei! – gritou o meu pai todo orgulhoso da cadeira.
       Todos riram, menos a minha tia, que esperava impaciente uma data.
       - O engraçado é que – continuou a minha vó – essa muda aqui é a que da mais fruta, e mais gostosa, já a dele, só da bichada.
       - Tá bom mamãe, mas me da uma data pôr favor. Quando foi? – implorou a minha tia.
       Ela coçou a cabeça, e olhou a árvore, como se ela fosse lhe dizer a data.
       - Acho que faz uns 15 anos!
       Foi o que bastou. Todo mundo explodiu. Minha tia chegou a ficar em pé e levantar os braços para o alto, em comemoração, balançando suas pulseiras coloridas. Meus tios não aceitavam essa resposta. Meus primos davam risada e soltavam comentários perdidos, só para ver o circo pegar fogo. O tio Felipe dava risada, o rosto rosa por causa da bebida, aposto que ele nem sabia o que estava acontecendo.
       - Tá bom, tá bom – falou um primo meu – vamos aceitar que essa árvore só tem 15 anos.
       Ele deu uma piscadela para a minha tia, e todos começaram a se aquietar. De canto de olho eu vi o meu pai sussurrar alguma coisa para a sua irmã. Ele olhou para trás, onde estavam as árvores, e soltou um comentário que parecia inocente, mas que ele sabia o que causaria. A minha tia não conseguia esconder a empolgação. Eu mesma já percebi o que iria acontecer quando ouvi o meu pai dizer:
       - Alguém lembra daquele pé de maça que tinha aqui no fundo quando mudamos para cá?

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