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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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A morte mora ali do lado
escrito em sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 às 08:32


       Era desconfortável isso, a vida ser vizinha da morte. Desconfortável para ambos. Os gemidos, chamados e gritos, que escapavam pelas janelas de uma, incomodava as risadas, paz e diversão da outra. Ambos os moradores ficavam imaginando o que estava acontecendo na outra casa, e acabavam se perdendo em pensamentos, acabavam perdendo o espírito de festa, e acabavam perdendo o restinho de vontade que tinham de sobreviver. 
       Essa coincidência, da vida ser vizinha da morte, era uma brincadeira completamente sem graça. A privacidade que a morte gostaria de ter é atrapalhada pela fumaça do churrasco da outra, e a distância que a vida queria ter da outra é atrapalhada pela ambulância que vem apitando sua sirene ali na rua. As duas são prejudicadas. As duas são incomodadas. As duas não conseguem ignorar uma a outra. Porque quando se está morrendo, você só consegue pensar na vida que você está deixando para trás, nas coisas que você deixou de fazer, nas pessoas que você nunca vai conhecer, nos lugares que você nunca vai visitar. E você não quer deixar esse mundo para trás, se recusa, e chora, e agoniza, principalmente quando você tem contato, ou no caso, escuta as outras pessoas seguindo com a sua vida. E a vida, bom, a única certeza da vida é a morte. Morte. Essa coisa assustadora. E por isso, ela não quer pensar nela, não quer ter contato. Ninguém quer. E ser vizinha da morte só trás pensamentos que as pessoas tentam evitar a todo custo. 
Não existem acordos, não existe vontade, e não existe a menor possibilidade da vida morar junto com a morte. Não existe. A vida pode até alcançar a morte, mas a morte não alcança a vida. Mas aquela criança não conseguia aceitar isso. E foi por esse motivo, que numa manhã, ainda descalça e de pijama, ela abriu a porta dos fundos e foi na pontinha dos pés até o muro. Ela podia escutar os gemidos que iam até tarde da noite, e começavam cedinho. Ela puxou um banquinho, e se equilibrou em cima dele. No começo, ela não pode ver nada, mas uma cortina foi aberta e lá na cama, estava a morte. Coberta até o pescoço, os olhos abertos, alucinando, chamando pela mãe que fora embora fazia 10 anos.  A criança se assustou um pouco com o que viu, mas outra coisa chamou sua atenção. 
       Sentada no gramado com os olhos fechados, as mãos tapando os ouvidos e com um coelho de pelúcia no colo, estava uma criança. Uma menininha. Mas para ela, uma amiga que nunca tivera naquele bairro. Aquela criança, equilibrada no banquinho, não teve a capacidade de entender o que se passava ali. Aquela era a filha da morte. A filha, que se não tivesse encontrado uma amiga lhe espiando no muro naquele dia, perderia não a sua vida, mas a sua vontade de viver, porque ver sua mãe morrendo, sem que tivesse nada que pudesse fazer, era muito para uma criança de 9 anos lidar. 

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