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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Sem sentido é esse meu amor por você
escrito em sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 às 10:25

       Não sei se estou escrevendo agora para passar o tempo, ou para desabafar, ou para tentar entender quem eu sou, pelo quê estou passando. Acho que estou só encaixando palavras, fazendo suposições, costurando palavras sem sentido e tentando fazê-las ter sentido. Assim como eu faço todo santo dia: tentar encontrar um sentido em tudo o que faço, um sentido na vida, na morte, no que vem, no que vai, e no que nunca partiu. 
       Não ligo para o que vão dizer, ou pelo menos não quero. Não quero um amor para sofrer, não quero horários impostos, não quero deveres. Não quero fazer nada, mas quero tudo. Típico de eu. Típico de alguém que está crescendo, mas que está se perdendo na idade, na maturidade - que ainda não tem. 
       Ainda não tem. 
       O que não tenho? São tantas coisas. Não tenho o seu amor, não tenho aquela câmera, não tenho um anel de diamante - completamente inútil, pois eu posso comprar um igualzinho no 1 e 99. Eu não tenho um pingo de vergonha na cara, e me engano ao dizer que tenho responsabilidade. Me engano ainda mais ao dizer que tenho o controle da minha vida, porque se eu tivesse, acho que eu não estaria nessa bagunça. Se eu tivesse o controle de mim e de meus atos, eu não estaria falando de tudo e de nada, voltando à estaca zero o tempo inteiro, e entendiando o azarado que encontrou esse texto para ler. Não. Provavelmente eu estaria, com um pouco de sorte também, fazendo um intercâmbio na Itália, escrevendo o meu terceiro livro e aprendendo a língua fluentemente. Mas como eu não tenho, eu continuo aqui, presa nessa cidade abafada, escrevendo textos completamente fora de contextos, porque eu mesma estou fora do contexto - me recuso a aceitar que nasci para ficar presa numa gaiola. Eu sinto que ainda não me descobri por completa. Mas eu sinto tantas outras coisas. Eu sinto medo, angústia, frio... isso no meu interior. Mas por fora, eu sinto-me feliz, quente, e até um pouco corada. Um grande contraste esse, a palidez e um rosto corado. 
       A palidez, clara e sem cor, é o meu lado escuro. Se faz algum sentido para você. Como pode ser escuro o claro? Como pode ser alto o silêncio? Como alguém pode chorar de felicidade? Como pode eu amar tanto você? Você que não existe. Você que está longe de existir. Uma realidade intocável e impossível. Uma realidade que se torna ilusão com o tempo.   
       E eu aqui, decidida a falar de mim, estou falando de você. Não quero que isso se torne um texto de amor, porque já tenho tantos, e estou cansada deles. Quero falar de mim, de ninguém, do vizinho. De todo mundo, contanto que não seja de você. 

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e adaptado para "baú de tinta" por júlia duarte