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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Baseado em fatos reais
escrito em quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 às 15:57

       Cansei de dizer em meus textos que a claridade ofuscou uma verdade, que os dias são agora escuros. Cansei de falar que rostos impedem que eu tenha uma boa noite de sono e que o medo me castiga todos os minutos do meu dia. Cansei de falar que vivo numa confusão de sentimentos, numa confusão de desejos, numa confusão de sonhos que não se realizaram, num mar de mentiras, sendo sufocada por tanta falsidade. Eu já não aguento mais sempre inventar novas frases para representar o passado que me persegue: "aquela sombra costurada em meu pé que me segue para todos os lugares", "eu ando e ando, mas parece que eu não saio do lugar", "através da janela do carro, eu sempre vejo as mesmas paisagens... parece-me que viajo em círculos". Cansei! Chega! Por que tentar tornar bonito o que é horrível? Por que tentar colocar poesia onde só tem dor e sofrimento? Por que passar para o mundo essas minhas desgraças quase que codificadas? Personagem é uma ova. Tudo se trata é de mim. Sempre foi. Minha ansiedade, minha raiva, meu romance. E todo mundo se deixa  enganar que tudo isso é mentirinha, mas o bom, é que lá no fundo eles vão saber que eu não estou bem. Bem no fundo. Talvez se eu contasse que tenho uma playlist com músicas idiotas que me acalmam quando estou triste, ou que me fazem chorar até me esgotar e acabar dormindo. Se eu contasse que escrevo no meu diário coisas horríveis sobre mim mesma. Talvez se eu segurasse o rosto da pessoa bem próximo ao meu e dissesse as palavras: "eu não estou bem", alguém viria me ajudar. Bom. Aí está. Eu não estou nada bem. Estou longe, bem longe, do bem, e bem próximo do horrível. Agora acho que é só esperar né? Esperar alguém vir ao meu socorro. Porque não vou perder meu tempo fazendo sinais de fumaça, aprendendo código morse, ou, sabe, chorar na sua frente, para você perceber que eu estou mal. Então só vou torcer para que você leia isso, e perceba que eu estou falando a verdade, e que estou esperando alguém vir tentar entender o que eu não entendo: a origem dessa dor.

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