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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Ela não sabia voar
escrito em terça-feira, 15 de janeiro de 2013 às 16:29


       Desenhar os meus medos. Desenhar aquilo que mais me incomodava. Essa era a terapia de hoje. A psiquiatra me deixou sozinha na sala, e disse que eu poderia chamá-la quando terminasse. Meu déficit de atenção me atrapalhava um pouquinho, fazendo eu processar ao mesmo tempo a chuva que caía e escorria pela parede de vidro, a mosca que trombava na lâmpada amarela, a formiga carregando outra em suas costas na parede tom pastel. Um momento de paz se seguiu de uma fúria que esquentou o meu rosto e fez eu arremessar o relógio que antes estava posto cuidadosamente em cima da mesa. Não sabia da onde tinha visto isso, mas sabia que eles tinham visto isso, e sabia que tinha que me controlar, se não eles iriam me apagar... de novo. Respirei fundo, porque estava ciente da câmera, que deveria ser invisível para os outros, no décimo terceiro livro da sétima prateleira. Estava ciente do papel em branco na minha frente, berrando e me desafiando a encarar o passado, a me avaliar. 
       Ela era boa. A psiquiatra. Ou na verdade, ela só devia seguir o mesmo procedimento que algum bom psiquiatra inventou ao longo do tempo. Ela não merecia o crédito pelo seus métodos. E também não merecia o crédito caso eu melhorasse, já que quem teve que se esforçar foi eu, para encontrar o meu caminho de volta. Ela apenas teria que entender pelo que estava passando e ver o que os sábios fariam em seu lugar. Mas por uma, e somente uma coisa, ela deveria receber crédito: me aguentar todo santo dia, durante, sete meses. Na verdade, hoje já está fazendo oito meses. Exatamente. Ninguém mais me aguenta, nem meus próprios pais. Eles não aguentaram a realidade de estarem me perdendo também, aos poucos, e por isso, me abandonaram nesse hospício. Agora, eu tenho um único amigo que me visita frequentemente, e essa é a única hora que disponho de uma lucidez inexplicável. 
       Porém, fazem oito meses que as pessoas me julgam louca. Oito meses que dizem que perdi a razão e que apresento distúrbios mentais. Alienada, demente, doida, maluca, orate, tola. Passei de uma adolescente normal, para alguém que tem um comportamento absurdo, exagerado, contrário ao bom senso ou ao que é considerado razoável por pessoas que se julgam ordinárias. Eu sou considerada fora do habitual por revelar falta de sensatez. Eles ousam falar que eu estou fora de si, descontrolada. Que sou perturbada, transtornada, tresloucada. 
       Sabe, eu ainda não descobri se estou aqui por causa da depressão - aquela que me assola na hora que eu acordo e me faz ficar presa no meu quarto, com os olhos abertos, apenas esperando o tempo passar -, o transtorno bipolar, conhecido também como depressão maníaca - é uma fase da depressão que mistura inibição, ansiedade, tristeza e hiperatividade física e mental - ou por causa da esquizofrenia - um tipo de sofrimento psíquico grave, caracterizado principalmente pela alteração no contato com a realidade. Na verdade, eu suspeito que seja por causa de todas, mas não tenho certeza disso. 
       Nesse momento, a tesoura começa a voar em minha direção, e eu fecho os olhos com força, e começo a puxar os meus cabelos, fazendo os fios se soltarem com pequenos estalos. Porque eu sei que estou louca, e eu odeio isso. Não adianta quantos remédios eu tomo, quantas terapias eu faça, eu continuo vendo unicórnios, continuo tendo pesadelos, continuo tendo vontade de me arremessar da janela assim como.. 
Abro os olhos assustada. Pupilas dilatadas, respiração entrecortada. Na minha mão, um tufo de cabelo castanho está enroscado em meus dedos. Eu os deixo cair no carpete, e seco as lágrimas que antes, não tinha percebido estarem escorrendo. 
       Eu estava louca. E não, eu não iria conseguir desenhar. 
       Empurrei a cadeira para trás, um pouco forte demais, e ela acabou caindo, mas eu não me importei. Me levantei, e pus a cantar. Andava em círculos, trançando o meu cabelo e depois desfazendo tudo de novo. E cantava. Cantava aquela música que nós gostávamos. Cantava aquela música que nós escrevemos juntas. E finalmente, cantei a música que ela deixou para mim no seu bilhete. Porque era isso o que as pessoas faziam. Elas deixavam bilhetes. Deixavam bilhetes, e não tentavam se explicar, mas sim, consolar. Não. Eu não conseguia entendê-la. Meu Deus, o que passava na cabeça dela? Quem que eu conheci? Como ela me consolara todos aqueles anos? Porque agora eu não consigo entender se tudo aquilo foi uma mentira. 
       - E adivinha - agora eu gritava, completamente irada - Você foi embora, e levou a minha sanidade junto! 
       Resistindo à vontade de quebrar tudo, assim como eu fizera da última vez que me deixaram sozinha na sala, eu levantei a cadeira que antes derrubara, e desenhei três coisas naquela folha. A com o número um, era um quadrado negro. O escuro. Porque era assim a cor da última roupa que ela usava, era assim que estava o céu no enterro dela, era assim que eram os meus dias sem ela. A segunda coisa, foi um desenho estúpido, imitando um corvo. Não tinha muitas habilidades artísticas, então só por garantia, eu escrevi "corvo" em baixo daquela confusão de penas e asas. Porque era assim que eu a via na minha memória. Aquela minha última memória dela. Caindo do prédio, o vento castigando sua roupa, jogando o seu cabelo para cima, as pernas e os braços balançando. Um corvo negro rasgando o vento, sem capacidade de voar, caindo na minha frente. Eu a vi caindo, esperando que ela criasse asas. Mas ela não sabia voar. E a última coisa. A última. Era nada. Eu apenas fiz o número 3, e não desenhei nada. Porque era assim que me sentia: vazia. E era tudo o que eu sentia por ela agora: nada. 

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