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A AUTORA
Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Um poeta invisível
escrito em segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 às 14:27
Acho que ela não me viu. Na verdade, eu tenho certeza disso. As pessoas falam que homens como eu, são invisíveis, mas é mentira. Uma das maiores. Eles nos vem lá de longe, e atravessam a rua, desviam de nós. Eles não nos olham nos olhos, não porque não enxergam as cores deles e seu sofrimento, mas porque eles não querem nos olhar. Preconceito. Sei lá o que é isso. Nojo talvez. Eu mesmo tenho nojo de mim. Um ser desprezível vagando pelas ruas, vasculhando lixos, pedindo esmolas, desistindo de toda e qualquer chance de sonhar e de tentar recomeçar a vida pela milésima vez. Lixo. É isso o que eu sou. Isso o que nós somos. Talvez todos são na verdade. Os pobres e os ricos. Que seja.
Sempre fui um pensador, e isso não me levou a nenhum lugar, só fez eu sofrer mais com tudo o que percebia, tudo o que não conseguia evitar de pensar. Parece que agora o mundo é dos burros, e eu sou apenas um pensador arrasado, pichando nos muros a minha poesia, em cada esquina, em cada beco, em cada poste. As pessoas tinham que me ouvir de algum jeito, porque eu não escolhera ser invisível, mas elas me fizeram ser. E meus versos perdidos pela cidade, perdidos em paredes abandonadas, em prédios vazios, era eu falando. Mas naquela tarde, eu havia sido invisível, de verdade, e pela primeira vez eu gostara disso.
Estava sentado encostado no muro quando o carro estacionou ali na minha frente. Estava na rua do hospital quando um homem bem vestido saiu do carro, deixando uma garota, uma adolescente, sozinha ali no banco de passageiro. Ela apoiava a cabeça com a mão na janela, e fitava o imaginável, perdida em alguma outra dimensão. Ela era bonita, com um coque preso no alto da cabeça, vários fios desprendendo do penteado. Vestia uniforme e segredos.
Então ela começou. No começo, baixinho, mas conforme o tempo foi passando, sua voz foi aumentando, e eu pude ouvir com clareza a sua música.
Não tinha visto antes os fones de ouvidos que ela usava.
Aquela música, numa língua que deveria ser o tal do inglês, me tocou. Sua voz era afinada e suave, assim como a música. Eu não entendia uma palavra do que ela dizia, mas fazia tempo que eu não ouvia algo tão belo, e lágrimas escaparam do rosto daquele fantasma: eu. Ela também deixou escapar uma lágrima, que secou rapidamente com a mão esmaltada. Por dois horríveis segundos, a melodia foi interrompida, mas ela voltou a cantar aquelas palavras. Tinha medo de fechar os olhos, e tudo aquilo acabar, então eu continuei ali, do meu papelão, ouvindo o que para mim era conforto, e para ela, uma espécie de nostalgia e sofrimento.
A canção virou um murmúrio, e lentamente se transformou em outra, mais bela ainda, mais triste ainda, mais reconfortante. De um modo assombroso, todas essas características se casavam. A dor e a alegria. A solidão e o calor de um humano. Uma promessa talvez. Um incentivo. Uma pitadinha de vontade de viver em meio à palavras completamente estranhas para mim. Mas tão rápido como começara, logo ela acabou.
Minha música foi interrompida pelo homem que voltou para o carro, e engatando a marcha, saiu da vaga apertada, me deixando sozinho. Eu, e a música. Música que eu não sabia reproduzir. Música que eu nunca ouviria de novo. Mas a lembrança, essa ficaria para sempre. E no muro, eu pichei: "Me dê uma nota, eu te dou um tom. Me dê duas notas, e eu te dou uma palavra. Agora, me dê uma melodia, e eu te dou meus mais profundos sentimentos".
Marcadores: história

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Um poeta invisível
escrito em segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013 às 14:27
Acho que ela não me viu. Na verdade, eu tenho certeza disso. As pessoas falam que homens como eu, são invisíveis, mas é mentira. Uma das maiores. Eles nos vem lá de longe, e atravessam a rua, desviam de nós. Eles não nos olham nos olhos, não porque não enxergam as cores deles e seu sofrimento, mas porque eles não querem nos olhar. Preconceito. Sei lá o que é isso. Nojo talvez. Eu mesmo tenho nojo de mim. Um ser desprezível vagando pelas ruas, vasculhando lixos, pedindo esmolas, desistindo de toda e qualquer chance de sonhar e de tentar recomeçar a vida pela milésima vez. Lixo. É isso o que eu sou. Isso o que nós somos. Talvez todos são na verdade. Os pobres e os ricos. Que seja.
Sempre fui um pensador, e isso não me levou a nenhum lugar, só fez eu sofrer mais com tudo o que percebia, tudo o que não conseguia evitar de pensar. Parece que agora o mundo é dos burros, e eu sou apenas um pensador arrasado, pichando nos muros a minha poesia, em cada esquina, em cada beco, em cada poste. As pessoas tinham que me ouvir de algum jeito, porque eu não escolhera ser invisível, mas elas me fizeram ser. E meus versos perdidos pela cidade, perdidos em paredes abandonadas, em prédios vazios, era eu falando. Mas naquela tarde, eu havia sido invisível, de verdade, e pela primeira vez eu gostara disso.
Estava sentado encostado no muro quando o carro estacionou ali na minha frente. Estava na rua do hospital quando um homem bem vestido saiu do carro, deixando uma garota, uma adolescente, sozinha ali no banco de passageiro. Ela apoiava a cabeça com a mão na janela, e fitava o imaginável, perdida em alguma outra dimensão. Ela era bonita, com um coque preso no alto da cabeça, vários fios desprendendo do penteado. Vestia uniforme e segredos.
Então ela começou. No começo, baixinho, mas conforme o tempo foi passando, sua voz foi aumentando, e eu pude ouvir com clareza a sua música.
Não tinha visto antes os fones de ouvidos que ela usava.
Aquela música, numa língua que deveria ser o tal do inglês, me tocou. Sua voz era afinada e suave, assim como a música. Eu não entendia uma palavra do que ela dizia, mas fazia tempo que eu não ouvia algo tão belo, e lágrimas escaparam do rosto daquele fantasma: eu. Ela também deixou escapar uma lágrima, que secou rapidamente com a mão esmaltada. Por dois horríveis segundos, a melodia foi interrompida, mas ela voltou a cantar aquelas palavras. Tinha medo de fechar os olhos, e tudo aquilo acabar, então eu continuei ali, do meu papelão, ouvindo o que para mim era conforto, e para ela, uma espécie de nostalgia e sofrimento.
A canção virou um murmúrio, e lentamente se transformou em outra, mais bela ainda, mais triste ainda, mais reconfortante. De um modo assombroso, todas essas características se casavam. A dor e a alegria. A solidão e o calor de um humano. Uma promessa talvez. Um incentivo. Uma pitadinha de vontade de viver em meio à palavras completamente estranhas para mim. Mas tão rápido como começara, logo ela acabou.
Minha música foi interrompida pelo homem que voltou para o carro, e engatando a marcha, saiu da vaga apertada, me deixando sozinho. Eu, e a música. Música que eu não sabia reproduzir. Música que eu nunca ouviria de novo. Mas a lembrança, essa ficaria para sempre. E no muro, eu pichei: "Me dê uma nota, eu te dou um tom. Me dê duas notas, e eu te dou uma palavra. Agora, me dê uma melodia, e eu te dou meus mais profundos sentimentos".
Marcadores: história

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ALLANA GONZALEZ.
“Não deixe sua felicidade depender de algo que você pode perder.”
- Autor Desconhecido
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que tenho uma forte tendência a começar tudo e não terminar nada. Sou consumista compulsiva de livros, extremamente ansiosa e odeio bichos que voam na minha direção. Prefiro finais de semanas em sítio, do que ficar presa na cidade. Adoro o verão, mas gosto da atmosfera do inverno. Prefiro ficção do que romance, e sou meio claustrofóbica. Ainda escuto músicas da Disney e já estou no meu quinto diário. Não sei consolar pessoas, e também não sigo os meus próprios conselhos. Sou azarada, lerda, escandalosa. Meu sonho? Alcançar cada vez um público maior para minhas histórias.
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BAÚ DE TINTA
“E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos.”
- Tati Bernardi.
Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle, de saber o que aconteceria, e porque eu colocava como desfecho das minhas histórias as soluções para os problemas que não encontrava na realidade. Agora eu escrevo porque não aguento guardar tudo para mim, porque a realidade ficou muito chata, porque sinto demais. Escrevo primeiramente para mim e por mim. E esse blog surgiu porque eu queria que as pessoas conhecessem esse meu lado. E porque histórias são escritas para serem lidas.
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