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A AUTORA
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Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)
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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)
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Amor bandido
escrito em sexta-feira, 15 de março de 2013 às 14:14
- Ele não vai aguentar isso por muito tempo.
As buzinas recomeçaram.
- Eu acho.
Deixei escapar uma risadinha, mas eu estava era
apavorada. Deveria fazer uns 30 minutos que o homem estava ali e eu quase não
podia mais sentir as minhas pernas de ficar abaixada ali, o espionando. E o
pior é que o homem não parecia estar com muita pressa.
- A persistência dele é impressionante! – Luca
disse.
Inclinei-me até ele e dei um soco em seu braço.
Para minha sorte e o azar dele, acertei bem o nervo.
- Ei – ele recuou de mim, esfregando o braço.
Eu pulei em cima dele, o derrubando no chão e o
enchendo de tapas e beliscões.
- A culpa toda é sua! O que deu na sua cabeça
para fazer isso? Uma vez até vai, mas dez vezes é demais já! Para de rir de
mim.
Luca chorava de tanto rir. Seu rosto ficando
vermelho assim como seus olhos. Ele apertava um dedo em meus lábios para eu
abaixar o tom de voz, mas ele mesmo não conseguia controlar sua gargalhada.
Palmas começaram a soar do lado de fora da
casa.
Eu dei mais um tapa nele e voltei para a
janela. Ficando de joelhos, puxei só um pouquinho a cortina e espiei pela
fresta. A porta do carro do homem estava aberta e ele estava debruçado no
portão, olhando para a casa. Ele não parecia muito contente. E eu sabia que ele
sabia que nós estávamos ali. Estávamos ferrados.
- E se ele ligar para a polícia? – eu
sussurrei.
Luca ainda estava caído no chão, rindo
baixinho.
- Então você vai ser casada com um prisioneiro
que teve que cumprir pena por o que? Duas semanas?
O homem lá fora balançou seus braços gordos
para cima, como se não aguentasse mais. Talvez ele estivesse indo embora,
pensei esperançosa. Mas não. Ele voltou para o carro e tocou a buzina por um
longo tempo.
Virei irritada para o meu marido de 24 anos.
- O quê? Você mesmo disse que era romântico! –
ele se defendeu.
- A primeira vez!
Ele se arrastou no chão até mim e me abraçou.
Meus braços pendendo desajeitados entre nossos corpos. Os dele me segurando
firmemente.
- Flores não deveriam ser tão caras.
Deixei escapar uma risadinha.
- Viu? – ele ria - Você me entende!
- Entendo o que? O fato de não termos dinheiro?
Era a verdade.
- E o fato de você ter virado um ladrão
persuasivo e extremamente perigoso, além de super procurado pela polícia? Eu
sou uma vítima aqui nessa história.
Ele começou a rir, e eu também.
- Eram só dez flores – ele choramingou. Dez
flores para a dama e cúmplice, não vítima, mais linda do mundo.
Luca apertou seus braços em volta de mim, e eu
comecei a afastá-lo, rindo.
- Cúmplice uma ova.
- Bom, você não está me entregando para ele...
Isso faz de você minha cúmplice.
Eu cobri minha boca.
- Sou uma fora da lei.
Nossas risadas foram interrompidas pelas palmas
que recomeçaram lá fora.
A rosa vermelha do dia estava em cima da mesa.
A bendita rosa que nos colocara naquela situação embaraçosa. A décima rosa seguida que ele me dera. Mesmo estando afundados em dívidas e ele desempregado,
a rosa estava lá em casa, me esperando, nas mãos do homem que eu mais amava no
mundo. Mas essa última dezena fora roubada. E juntos delas, o meu amor também.
Porque agora eu estava completamente e perdidamente apaixonada por ele, como se
fosse possível sentir mais amor ainda.
- Os vizinhos vão começar a dizer coisas – eu
disse.
- Nós não precisamos nos preocupar com eles –
ele disse, parecendo um pouco chateado.
- Mas tem tantas outras coisas que nós devemos
nos preocupar! – eu cocei minha cabeça.
Ele esfregou os meus braços.
- “Don’t you worry
there my honey, we might not have any money, but we got…” – ele parou e ficou
me olhando, esperando que eu continuasse a música.
Balancei a cabeça.
- Vamos lá. Termine – ele disse.
A campainha tocou por longos segundos. Eu
suspirei e sorri.
- “But we got our love
to pay the bills”
Ele deu um beijinho em minha testa.
- Exatamente - ele sorriu. Escuta, parece que ele está indo embora.
E eu realmente pude ouvir o som do carro dele
dando partida.
- Será que ele desistiu? – eu sussurrei.
Ajoelhados, fomos até a janela. Abrimos devagar
a cortina e ao invés de encontrá-lo ali, parado, encontramos outra coisa.
Espalhadas no chão, enfiadas na caixa de correio junto com as contas, em cima
do muro. Tinha de todas as cores.
- Eu não acredito nisso – sussurrei.
As rosas pareciam brilhar diante de meus olhos.
Aquilo poderia ser um aviso, que fosse, mas para mim era quase que um presente.
- Tem flor pro resto do ano ali – Luca disse, e
em seguida, nós caímos e rolamos no chão de tanto rir.
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