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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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Inutilia truncat
escrito em quarta-feira, 27 de março de 2013 às 11:08


       Eu era complicada demais para ter que ficar lidando com pessoas complicadas. Tudo o que eu tocava ou tinha acesso eu tinha a horrível capacidade de transformar aquilo numa confusão de segundas intenções, mentiras e raciocínios complicados. Quando ia tentar explicar o que tinha acontecido, minhas história ficavam toda entremeada de hipérboles, grandes inversões e hipérbatos. Se você não conseguia lidar comigo, eu não iria conseguir lidar com você. Fato.
       "Eu não entendo você", as pessoas costumavam dizer. E isso não era novidade para mim, porque nem eu me entendia. Não me entendia, porque eu conseguia ser mais estranha do que o fato de em algumas cidades na França, morrer é ilegal, do que Hitler ter sido indicado uma vez ao Prêmio Nobel da Paz e de que uma prisão no Uruguai se chamar "Liberdade".  Eu era a própria oscilação que leva o homem do céu ao inferno, que mostra sua dimensão carnal e espiritual, e mais ainda, além de instável, eu era muito estranha por gostar de ser estranha. Ninguém conseguia me interpretar completamente. Sempre falta alguma ideia oculta em meus versos.
       Mas nada, nada conseguia ser mais complicado e estranho do que aquelas três palavras que eu tinha acabado de escutar.
       - Eu te amo.
       Naqueles segundos que se passaram, não foi como se o mundo inteiro tivesse parado e tivesse só eu e ele naquele cômodo. Não. No exato momento que ele disse aquilo, para aquela menina loira, de olhos claros e pele como leite, que era eu, eu percebi que nunca iria conseguir ser mais complicada do que aquela afirmação, ou declaração, chame-a como quiser.
       Tantas coisas idiotas passaram na minha cabeça enquanto eu cruzava o meu braço diante do meu corpo, prendia o meu cabelo num coque alto e descabelado, e ele continuava na minha frente, esperando alguma reação. Ele sorria. Minha nossa, ele estava sorrindo, e se aproximando.
       Eu dei um passo para trás e trombei numa mesa, fazendo a prataria retinir. Os sons chegaram desconexos e estranhos no meu ouvido, assim como a ideia de eu não ser só mais eu, sozinha com todos os meus problemas, mas sim um casal. Dois. A problemática, a estranha, a desnecessária, e ele. A pessoa mais simples e comum que eu conhecia. Cheia de pensamentos simples, diretos e claros. Eramos o próprio Barroco e o Arcadismo tentando começar um relacionamento sério. Os opostos. A tese, e a contradição. Um movimento literário que veio bater de frente contra os princípios do outro, contra o conflito, o rebusco. E existe alguém mais rebuscada que eu?
       - Eu te amo - ele repetiu, o que eu achei completamente desnecessário.
       Isso era assustador. Isso, e mais o meu medo de afastá-lo com a minha resposta. O meu medo de ceder àquilo que eu sentia. E pela primeira vez na minha vida, eu estava procurando o caminho mais simples a tomar. Seria acreditar no amor?
       - Inutilia truncat - ele disse.
       - O que? - minha voz saiu num sussurro, sua declaração/maldição ainda ecoando em minha mente.
       - Cortar o inútil. Eliminar os excessos. Evitar qualquer uso mais elaborado. Separar o bom, do inútil, se aproximando do natural.
       - E qual seria o nosso natural? - eu perguntei.
       - Ceder ao amor.
       Ele tinha razão. E o estranho daquilo tudo era que pela primeira vez o amor era o caminho mais simples a se tomar, e isso fazia de nós, eu acho, os românticos, ou os prés-românticos. Chame-nos como quiser.

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