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A AUTORA


Allana Gonzalez
Maringaense, 16 anos. Perfeccionista, mas esculachada; irritada, e também ignorante. Durmo mais do que gostaria e escrevo mais do que poderia imaginar, só que... (+)

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Comecei a escrever porque gostava de brincar com as palavras, inventar humores, descrever cenários. Escrevia porque gostava de ter tudo sob controle... (+)

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A hora que o dom vira um fardo
escrito em sexta-feira, 17 de maio de 2013 às 14:33

       E no fim do dia eu escreveria uma história. Talvez um romance. Daqueles inusitados. Que ou começa com uma trombada na rua, ou um telefonema por engano, ou o mesmo ônibus toda manhã, um engano, uma cantada, um sorriso. Que seja! Sim, talvez eu pensaria em algum menino em especial, talvez eu escreveria exatamente o que eu gostaria para mim. Talvez. Nunca se sabe. E eu colocaria uma música para tocar. Sentaria na cadeira, e mudaria de ideia. Porque romances parecem tão irreais para mim. Tão complicados. E sempre, sempre eu tento fazer deles algo muito simples, quase até que natural, sendo que eu mesma não sei o que é estar apaixonada. E eu acabaria falando sozinha. Soando ridícula. Formando frases completamente clichês, que soariam sem nexo e melosas. Um texto cansativo. Um texto que eu apagaria. Um texto ridículo. Ridículo. Então sim. Eu mudaria de ideia. Talvez tomaria uma água, falaria sozinha com meu cachorro, e voltaria a sentar na cadeira. Uma ideia surgindo na cabeça. Um desejo quase que oculto escapando-me da cabeça, que vez em quando pinica, coça, me irrita, até eu deixar ruir as barreiras, e me permitir sonhar. Pois quem que não sonha em deixar tudo para trás? Em deixar parte do que tem, parte do que construiu, parte do que é, para trás, e continuar sozinha. Você, uma câmera e um carro. Viajando até o horizonte. Finalmente deixando as angústias para trás, adiando aquelas decisões que agora soam nada mais do que perda de tempo. E ali estaria eu. Sentada numa cadeira, numa sala escura, as silhuetas dos móveis visíveis pela luz branca e fraca da luminária acesa no canto oposto do cômodo, as plantas balançando e cutucando a janela no ritmo do vento. Minha costas estaria doendo, como de costume, e minha testa estaria franzida. Pois é, essa sou eu. A eu de atualmente. A eu que escreve tudo o que sonha para a vida, escreve tudo o que não tem coragem de dizer, escreve tudo o que não tem coragem de fazer, que descreve lugares que sempre sonhou de ver, sentimentos que sempre sonhou em sentir, pessoas que sempre sonhou em conhecer. E principalmente. Escreve uma pessoa que sempre sonhou em ser. Só escreve. Porque é só isso que ela sabe fazer. E com o tempo, suas histórias viram fardos, e aos poucos, ela se perde no meio de tantas palavras que ela jurava terem significados, ou pelo menos fazerem sentido. E de repente, ela percebe que nunca teve nada. Suas histórias não são lidas, suas histórias não são entendidas, suas histórias não mais a agradam. Suas histórias não fazem companhia. E rápido assim, ela não sabe mais quem é. Opa. De repente, eu não sei mais quem eu sou. Porque eu olho para aquela pessoa, que deveria ser eu, e vejo apenas uma sombra daquilo que uma vez eu já fora. Uma artista. Uma sonhadora. Uma escritora.

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